Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós.

06-07/09

Neste 23º Domingo do Tempo Comum, a narrativa do Evangelho responde a um problema concreto das comunidades cristãs primitivas como também as de hoje. A Igreja é, ao mesmo tempo, santa e pecadora. Santa porque é divina na sua origem, foi instituída e desejada por Deus, por isso professamos no credo das quatro grandes notas distintivas da Igreja: Una, Santa, Católica e Apostólica.

É pecadora, porque é humana, quem participa nela são pessoas humanas, é formada e fazem parte dela o ser humano, frágil e limitado.

Na santidade de filhos de Deus, somos irmãos, responsáveis uns pelos outros, sobretudo quando o pecado está destruindo essa santidade. Daí a exigência da correção fraterna.

O evangelista nos ensina que se houver na comunidade alguém que com seu pecado está dando meu exemplo e escandalizando, é preciso corrigi-lo como dever de fraternidade. Primeiro, procurando uma conversa pessoal com o pecador. Se ele não se corrigir, leve-se mais uma ou duas pessoas para juntos conversarem com ele. Se mesmo com a presença de mais irmãos, o pecador não se corrigir, então preciso aponta-lo à comunidade. É a "ultima instância!" Se não quiser corrigir, a comunidade terá que afastá-lo, como alguém que prejudica a todos e que desorganiza a comunhão. O que, porém, o evangelista quer - o que Jesus quer! - não é condenar a pessoa, mas salvá-la. Daí todo o empenho de ir ao encontro do que erra, dialogar com ele - num diálogo pedagogicamente sábio - tentar tudo o que for possível para convencê-lo de seu erro e fazê-lo voltar ao bom caminho. "Aqui temos o exemplo da ovelha desgarrada..."

Correção fraterna por que? A Igreja é uma comunidade cujos membros estão comprometidos uns com os outros, quer queriam, quer não; por isso, o pecado, embora cometido individualmente, tem incidência comunitária.

O pecado também tem dimensão social. Ninguém vive isolado, independente, solitário ou numa qualidade de vida que seja inteiramente desligado e autossuficiente, sem depender de ninguém ou não ter que dar nenhuma satisfação ao outros.

Vivemos no mundo, onde convivemos com todos os seres: animal, vegetal e mineral. Temos a responsabilidade de lidar e respeitar tudo o que vive. Devemos amar e merecer o amor das pessoas com as quais convivemos; e ainda mais amando e respeitando todas as pessoas como filhos de Deus e nossos irmãos.

Também vivemos numa comunidade eclesial, pois a salvação é individual e comunitária ao mesmo tempo. A experiência bíblica, tanto do Antigo como do Novo Testamento, mostra que Deus salva o homem enquanto membro de um povo, ou seja, de uma comunidade.

No final deste Evangelho podemos ver a importância da oração em comum. " E eu vos digo também que, se dois dentre vós, na terra, se puserem de acordo sobre qualquer coisa para pedi-la, eles a obterão de meu Pai que está no céu". (Mt 18,19).

Que pensar então da oração de toda uma comunidade paroquial ou diocesana? E da oração de toda a Igreja espalhada pelo mundo inteiro? É uma força que se ergue na direção do céu, com ímpeto suavemente forte de uma imensa confiança na bondade de Deus. E Jesus nos ensina ainda, aqui em são Mateus, outra grande verdade: "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles".(v. 20).