Vós sois o sal da terra.Vós sois a luz do mundo.

Vós sois o sal da terra.

Vós sois a luz do mundo.

O Evangelho de hoje é a continuação do texto das Bem-aventuranças. Jesus usa três comparações: o sal, a luz e a lâmpada para nos mostrar o que significa ser cristão, ou, em outras palavras para apresentar o sentido da presença e da ação da comunidade cristã no mundo. A comunidade cristã deve ser “sal, luz e lâmpada”.

E Jesus disse: “Vós sois o sal da terra”. O sal é elemento fundamental para a vivência. O sal é feito para dar gosto aos alimentos; preserva, conserva os alimentos e lhes dá sabor humano. A palavra “insulso” ou “insosso” quer dizer justamente “sem sal”. Donde dizer “sal insosso” é o mesmo que dizer “sem sal”. Um paradoxo, como quis exatamente dizer Jesus aos seus ouvintes: “Se o sal perder o gosto...” O discípulo de Cristo que pelo mau exemplo de sua vida fosse a negação do espírito do Evangelho, e não transmitisse à comunidade o sabor dos ensinamentos do Divino Mestre, seria um sal “sal sem sal”. Não prestaria para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado por todos. O sal em sua função de temperar os alimentos dando o gosto justo implica não ser nem sal demais e nem sal de menos. Ele vem a significar, então que o discípulo de Cristo deve representar na comunidade o equilíbrio, o bom senso, a prudência própria de homem sábio. Não pode ser o homem dos excessos, dos radicalismos da esquerda ou da direita; mas o homem da harmonia e da tranquilidade da paz. E a Igreja como um todo, com esse tempero espiritual, concorrerá, para o equilíbrio do mundo, para que não haja guerras nem conflitos de qualquer natureza, e para que reine a justiça em todas as modalidades do relacionamento humano: na política, na economia, no bem-estar da comunidade.

E Jesus disse também: “Vós sois a luz do mundo”. Naturalmente aqui está um reflexo da grande luz da verdade e da santidade que é o próprio Cristo. Jesus é a luz do mundo. Ele disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. E Jesus é a luz que ilumina todo o mundo. A luz de Jesus não pode deixar de brilhar para iluminar a humanidade toda. E Jesus disse: “Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de uma vasilha, mas para colocá-la em lugar alto, a fim de que brilhe para todos os que estão na casa”. Ninguém deve fazer o bem com a finalidade de ser visto. Seriam vaidade e ostentação que Jesus reprova em outro lugar do Evangelho. Mas, por outro lado, sua vida deve ser tão digna, tão pura e tão santa, que possa servir de luz para o caminho dos outros. Devemos fazer resplandecer em nosso rosto a luz de Deus. Quanto à luz, a primeira carta de São João diz: “Deus é luz”, porque sua presença ilumina a vida do homem, conferindo-lhe significado. A comunidade cristã é luz do mundo, porque testemunha Jesus e se torna desse modo, sinal que revela o sentido que Deus dá à vida. Ninguém vive sem a luz. A luz possibilita enxergar o caminho para andar, e ninguém caminha sem um sentido na vida.

E Jesus ainda disse: “Não pode ficar escondida uma cidade que está no alto de um monte”. Assim brilhará a luz dos cristãos no meio do mundo.

Por fim, a simbologia da lâmpada. Ninguém acende a lâmpada para coloca-la debaixo de uma vasilha. A comunidade cristã não pode se esconder nem se fechar caso contrário seu testemunho já não tem mais sentido.

É sal da terra, é luz do mundo, é cidade visível que fica no alto de um monte. Essas imagens utilizadas por Jesus convergem para a mesma direção: “o testemunho da vida a serviço dos outros”. Portanto, o texto deixa bem claro que a comunidade não existe para si mesma, mas em função dos outros, de toda a sociedade dos seres humanos.

A comunidade somente será sal, luz e lâmpada quando der testemunho de Jesus, vivendo o que ele proclamou nas bem-aventuranças.

O homem moderno pode descobrir, para além da linguagem e das ideias, que Deus se encontra na simplicidade da confiança pura. E a falta de luz no coração do homem é o que impede de chegar ao essencial da vida.